O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi inicialmente decretado como Parque Nacional do Tocantins, em 11.01.1961, com 625.000 hectares. Criado sem consulta às comunidades da região e sem pagamento das indenizações aos antigos proprietários, gerou pressões políticas que produziram várias alterações em sua área.

Atualmente, embora possuindo apenas 65.514 hectares dos quais 40% tirados do município de Alto Paraíso de Goiás e 60% de Cavalcante, ainda não está com a situação fundiária regularizada. Possui um único portal de acesso na Vila São Jorge, distante 35 km de Alto Paraíso pela GO-239.

O parque tem como objetivos a pesquisa científica, a educação ambiental e a visitação pública. Banhos de Cachoeira e caminhadas por antigas rotas antes utilizadas por garimpeiros e pelas comunidades tradicionais em seus deslocamentos para São Jorge e Alto Paraíso são as atividades disponibilizadas para os visitantes que usufruem de adequada infraestrutura (bilheteria, auditório, trilhas bem cuidadas etc.) e suficiente pessoal técnico, o que torna este parque em uma referência nacional.

Possui solo muito antigo e acidentado com a altitude variando de 577 a 1.676 metros. Apresenta paisagens lindíssimas, rica flora do Cerrado, cannyons impressionantes, variados atrativos hídricos e domina o berço das águas dos altiplanos da Chapada dos Veadeiros. Importante ressaltar que apenas um pequeno córrego flui para o interior do Parque e que todos os demais fluxos de água que passam por suas divisas vêm do seu interior e seguem para a área de amortecimento.

O Parque tem contribuído para a preservação da flora e da fauna da Chapada e para o desenvolvimento de uma consciência ambiental na região. Além disso, configurado como área núcleo da Reserva da Biosfera do Cerrado Fase II e da APA de Pouso Alto, facilitou o desenvolvimento do ecoturismo na região e a divulgação internacional da Chapada dos Veadeiros quando de sua titulação, pela UNESCO, como Patrimônio Brasileiro Relevante para a Humanidade.

Nada obstante tudo aquilo que o Parque Nacional já representa, a política ambiental aplicada na região poderia ser repensada para curar as feridas abertas com a sua criação autoritária, a não regularização fundiária, os comportamentos arrogantes de alguns chefes e fiscais e a ampliação irregular realizada em 2.001.

A influência positiva do Parque Nacional seria maior e a sua importância mais reconhecida pelos cidadãos e cidadãs da Chapada se houvesse, da parte das autoridades ambientais constituídas:

- interesse na construção de relações de confiança e respeito para com proprietários e comunidades da região;

- consideração para aspectos da cultura local no trato com a terra;

- oferta de ajuda para o controle de focos de incêndio em áreas do entorno;

- empenho efetivo na regularização fundiária;

- visita a proprietários e valorização das iniciativas voltadas para a preservação;

- participação na busca de soluções para necessidades locais;

- esforço para que o Conselho do Parque tenha reuniões freqüentes em datas pré determinadas, sejam abertas e realizadas em locais de fácil acesso e possuam pauta previamente divulgada nos municípios do entorno;

- atuação transparente quanto a ações presentes e futuras que tenham impacto sobre as comunidades.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>