História e Cultura

 

Festa Comunidade Kalunga

Festa Comunidade Kalunga – Foto G1

Cavalcante, o mais antigo município da Chapada, possui aspectos históricos interessantes ligados à extração do ouro: as primeiras minas foram descobertas em 1740 e o primeiro arraial, pela presença de um minerador influente de nome Juliano Cavalcante, passou a ser chamado Cavalcante. Em 1755 obteve expressão jurídica com a criação do Julgado de Cavalcante e no dia 11 de novembro de 1831 foi elevado à condição de Município.

O intenso trabalho de pesquisa e lavra do ouro contou com a expressiva força do trabalho escravo havendo registros da presença de aproximadamente 10.000 escravos na região. Os grotões das serras circundantes foram utilizados como refúgio para os escravos fugitivos, dando origem a núcleos de quilombos denominados Kalunga, com presença registrada desde o ano de 1760.

Os Kalungas, descendentes desses escravos que optaram pelo risco de buscar a liberdade, hoje predominam na população de Cavalcante e sua cultura influencia as festas populares da região, a exemplo da “Caçada da Rainha” e a “Dança da Sussa”. As datas dessas festas, algumas delas móveis, podem ser obtidas no CAT – Centro de Atendimento ao Turista de Cavalcante (Tel. 62 – 3494.1507).

Após o declínio do ciclo do ouro ocorreu prolongado período de estagnação econômica que somente agora, com o ecoturismo, sinaliza uma possibilidade de desenvolvimento para a região.

A cidade de Cavalcante, por falta de visão de seus administradores, perdeu relíquias históricas como a Casa de Fundição do ouro e a Igreja Antiga. Fotos do interior desta Igreja, pertencentes ao Instituto do Patrimônio Histórico, demonstram a riqueza do seu interior com belíssimas obras de arte sacra que certamente agora compõem o acervo de colecionadores particulares, configurando mais um triste exemplo do país que despreza sua memória …

Aspectos sócio-econômicos da região

A Chapada, nada obstante a ação dos Bandeirantes que conduzindo milhares de escravos aqui realizaram as primeiras explorações à procura de ouro, está muito preservada.

Cavalcante, por exemplo, o município mais antigo da Chapada, permanece com mais de 90% de sua cobertura vegetal intocada. A região, além de preservada, possui ouro, urânio, água de qualidade e outros minerais nobres – por exemplo a kalungaíta recentemente descoberta, além de atrativos ecoturísticos e rica biodiversidade.

Por isso turistas, místicos, pesquisadores, ecólogos, estudantes e outras pessoas a procuram para desfrutar do contato com a natureza íntegra e bela. Todavia, apesar de sua riqueza potencial, os habitantes tradicionais da Chapada têm ficado à margem de um processo mais efetivo de inclusão social e econômica.

As políticas ambientais aqui aplicadas tenderam a produzir êxodo rural e inchação urbana, a exemplo de Cavalcante que na década de 70 era auto-suficiente quanto a alimentos básicos e hoje importa mais de 80% desses produtos. Até mesmo as indenizações relacionadas com a criação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros não foram pagas até hoje aos antigos proprietários.

Algumas outras decisões políticas têm gerado insatisfações, conflitos desnecessários e prejuízos à região e, principalmente, maculado o movimento ambientalista na Chapada, por exemplo:

a) ampliação irregular do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros em 2001, anulada no Supremo Tribunal Federal em 2003;

b) criação da APA de Pouso Alto em 2001 com irregularidades; transformação do Conselho Gestor em Conselho Consultivo sem consulta às comunidades; limitações ao uso da propriedade sem amparo legal e sem conhecimento da Chapada;

c) presença, no site do IBAMA, de informações inverídicas sobre a área do entorno do Parque Nacional e que denegriram a imagem da região;

d) criação sistemática de dificuldades a iniciativas que possam gerar trabalho, renda ou progresso sejam abertura e melhoria de estradas, licença ambiental mesmo para lavouras de pequeno porte ou abertura de um portal para o Parque Nacional no município de Cavalcante.

A população desta região conhecida como “Corredor da Miséria” – por deter um dos menores IDH do Brasil, poderia colher os benefícios de sua riqueza preservada se houvesse vontade política voltada para a regularização fundiária, pagamento das indenizações pendentes, investimento em saneamento básico e implantação de projetos e programas consistentes orientados para o desenvolvimento sustentado dos recursos naturais da Chapada.

Cavalcante hoje possui infraestrutura suficiente para alavancar o desenvolvimento do ecoturismo:

  • inúmeros atrativos com aproximadamente uma centena de cachoeiras identificadas;
  • hotéis e pousadas com razoável quantidade de leitos;
  • restaurantes, pizzarias e lanchonetes;
  • Secretaria de Turismo e Meio Ambiente e CAT – Centro de Atendimento ao Turista (Tel. 62 – 3494.1507);
  • Associação de Condutores de Visitantes (funciona junto ao CAT – Centro de Atendimento ao Turista, tel. 62 – 3494.1507);
  • Agência do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal em Casa Lotérica e Banco Bradesco junto ao Correio;
  • posto de combustível;
  • oficinas mecânicas, borracharias e chaveiro que se dispõem a realizar atendimentos durante o final de semana e feriados;
  • hospital e postos de saúde;
  • delegacia de polícia e destacamento da polícia militar;
  • presença do Ministério Público com promotora e juiz residentes na cidade;
  • igrejas católicas e evangélicas e centros espíritas

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